A IMAGEM DA CRISE NÃO É A PRÓPRIA CRISE

 

Profetas do apocalipse já alardeiam que o mundo não será como antes e que aqueles que não estiverem altamente conectados a tecnologias informacionais estarão fadados ao fracasso. Não sou profeta, mas acredito que as coisas não são bem assim

 

Por Marco Antonio Paletta

Consultor em Gestão Empresarial

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allmap.net.br

professorpaletta@gmail.com

 

 

Publicado em 20 de abril 2020 

Na verdade, todos deveriam saber disso, mas é comum quando nos deparamos com problemas, imediatamente reclamamos e procuramos culpados para que possamos muitas vezes esconder nossas próprias fragilidades.

Profetas do apocalipse já alardeiam que o mundo não será como antes e que aqueles que não estiverem altamente conectados a tecnologias informacionais estarão fadados ao fracasso. Não sou profeta, mas acredito que as coisas não são bem assim, uma vez que o mundo passa sim por processos de constantes mudanças, e estas estão ocorrendo cada vez mais rápido, contudo percebe-se que a cada mudança, durante certo tempo, teremos certo caos, talvez até um certo caos produtivo, mas com o tempo as coisas tendem a se rearranjar e “velhos hábitos e padrões de comportamento” voltam a predominar.

O que quero dizer com isso, que passado o “susto” os padrões de consumo começam a voltar aos padrões anteriores. Quando olhamos ao passado percebemos que a grande mudança no padrão de comportamento de consumo aconteceu a mais de duzentos anos com a revolução industrial, de lá para cá o que mudou foram as preferências em função do que de novo a tecnologia pode nos oferecer para facilitar nossa vida.

É certo que “deliverys” ganharão cada vez mais importância comercial, mas ainda haverá no mercado um grande número de pessoas que precisarão da experiência da loja, experimentar antes de comprar, se ver com uma roupa antes de tomar a decisão de compra, o não ter que limpar depois de comer, o escolher o produto para por na geladeira, coisas que o mundo virtual não pode nos fornecer, lembrando também que o percentual de pessoas com acesso a tecnologias da informação capaz de gerar pedidos “on line” ainda é pequeno, tanto no mundo como no Brasil.

É lógico que os negócios terão que se adaptar a nova realidade, mais gente e tecnologia na produção e na logística e menos gente na exposição e no atendimento, isso significa uma mudança no mundo do trabalho, a substituição de atendentes físicos por virtuais nas lojas significará uma redução significativa de custos aos empresários de diversos setores, o “self service” ou auto serviço, do tipo peço aqui, retiro ali serão cada vez mais necessários e desta forma pode-se concentrar esforços no que importa, produzir e vender. Estas tecnologias já estão disponíveis para todos os tipos de negócios e não custam uma fortuna como muitos creem, na verdade o verdadeiro custo é o aprendizado para se extrair das ferramentas o máximo que ela pode lhes fornecer, e não o mínimo como tenho observado em minhas consultorias para pequenos e médios negócios.

O importante aos empresários é que parem de reclamar e realmente façam aquilo que muitos não fizeram quando abriram seus negócios, MONTEM UM PLANO DE NEGÓCIOS!, mas agora? Meu negócio já está funcionando a muito tempo, como posso montar um plano de negócios no meio do caminho?

Para isso você deve mudar a forma de pensar, ou seja, o negócio já existe, o mercado já existe, as contas já existem, agora você tem em mãos dados reais, e não estimativas que você deve ter usado quando abriu no negócio, você já conhece bem o produto, seus custos e seu público, assim você deverá preparar um PLANEJAMENTO DO SEU NEGÓCIO, visando o futuro, que permita enxergar até onde você consegue ir com sua estrutura atual, qual o seu mercado atual e futuro, quanto de investimento você terá que fazer novamente, quando terei Capital de Giro para sustentar a empresa por um determinado período (muitos estão sentido falta dele neste momento de pandemia que vivemos) e muitos sente falta dele no final de ano para pagar 13º e no início do ano quando novas despesas aparecem. Percebo que em muitos pequenos negócios o Capital de Giro é totalmente ignorado e desconhecido por parte dos empresários.

Talvez você precise de ajuda neste momento, não só financeira, mas orientação para utilizar melhor um conjunto de informações que você já tem do seu negócio, e você irá perceber que simplesmente mandar as informações para o seu contador fechar os impostos e a folha de pagamentos no final do mês não é suficiente para que você possa gerenciar seu negócio de forma eficiente, uma vez que eficaz certamente você já é.

As perguntas agora são: qual é o meu negócio? O que eu conheço dele? ... e inserir nas respostas as áreas financeira, marketing, produção e gestão de pessoas.

Quanto antes você conhecer estas variáveis, quanto antes a crise que “imaginamos” pela frente se tornará uma oportunidade.

 

Até nossa próxima postagem.