EDUCAÇÃO PÓS-PANDEMIA

 

Sejamos todos benvindos ao primeiro ano do resto de nossas vidas!

 

Por José Mário Orlandi

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Publicado em 04 de junho 2020 

Todo esse processo de bloqueio e isolamento relacionados à Pandemia do Corona vírus deixaram fora das salas de aula, parcial ou totalmente, 90% da população estudantil do mundo em 186 países e territórios, segundo a UNESCO. Globalmente, mais de 1,2 bilhão de crianças ficaram fora da sala de aula

A solução encontrada pela infinita maioria, foram as plataformas digitais, o ensino remoto e as atividades à distância que mudaram radicalmente a rotina de professores e alunos.

Discute-se se a migração rápida, e não planejada, para o aprendizado on-line sem treinamento nem preparação, sem ao menos termos no Brasil uma largura de banda muitas vezes insuficiente para o que se destinava não resultou em uma má “experiência de usuário”, condição primordial para um crescimento sustentável, segundo os preceitos de marketing. Junte-se a isso as polêmicas relacionadas à retenção de informações, e ao aprendizado sócio emocional proporcionado pela convivência social e os trabalhos em grupo, por exemplo.

De certo, pudemos observar um aprendizado adjacente muito interessante. A começar pela resiliência de administradores educacionais, professores e alunos que, em 72 horas operacionalizaram o que, em tempos normais, levariam 6 meses, ou mais, de análises, definições, projetos e mensurações. Talvez essa seja a maior prova de que educar é preparar para o inesperado. Também chamou a atenção que, mesmo distantes fisicamente, boa parte dos jovens mantiveram contato virtual, muitas vezes trabalhando juntos a resolução das atividades passadas pelos professores.

Muitos, ligados às empresas de tecnologia, acreditam que as alterações provocadas pelo coronavírus vieram para ficar e que resultarão em um processo acelerado de migração para um modelo híbrido na saúde, economia, política, relações sociais e trabalhistas, assim como, lógico, na educação.

Existem, no entanto, adversidades e obstáculos a serem superados. E não são poucos. No Brasil temos um universo de estudantes sem acesso confiável à Internet e à tecnologia. Jovens, no Brasil e no mundo, começaram a lutar pelo seu direito de participar do aprendizado digital. De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), enquanto 95% dos estudantes na Suíça, Noruega e Áustria têm um computador para usar em atividades escolares, apenas 34% na Indonésia te esse “privilégio. Já nos Estados Unidos, existe um verdadeiro abismo entre indivíduos de origens privilegiadas e desfavorecidas. Lá, praticamente todas as crianças de 15 anos de origem privilegiada declararam ter um computador, mas cerca de 25% daqueles de origens desfavorecidas disseram não ter acesso a esse bem. Nesse contexto, muitos educadores manifestam-se preocupados com o fato de a pandemia ter causado o fosso digital e educacional.