SE META NÃO É COMPROMISSO KASSAB E DILMA NUNCA FORAM ADMINISTRADORES.

O conceito de Meta, deve ser utilizado como sinônimo de Alvo, ponto de convergência que se pretende atingir. Marca a pessoa, o projeto ou a organização se posicionando num futuro desejável e se esforçando para implementar as condições (objetivos), sobretudo sabendo que este compromisso será cobrado.

Por José Mário Orlandi 

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Publicado em 31 de agosto 2015 

Invariavelmente começo minhas aulas das disciplinas de Gestão de Empresas, Marketing e Negociação mostrando o que se espera de um gestor e quais características lhe são indispensáveis. Relacionamento, comunicação e capacidade de tomar decisões com base em informação e sustentada na razão são algumas delas.
Para que todos possam processar essa informação mais claramente, utilizo o exemplo de alguém que, perguntado sobre quais suas Metas na vida responde: "ter uma casa, um emprego seguro, um carro e uma família feliz. Se questionado, seja quanto a função ou empresa em que gostaria de trabalhar, quanto a marca e valor do carro que pretende comprar, ou seja quanto ao tempo que levará para adquirir tais bens essa pessoa tende a se calar ou, simplesmente, retrucar: “sei lá... ai você tá querendo demais”.
Ao responder a essa questão desta maneira uma pessoa mostra que o sentido de Meta, de objetivos e mesmo de visão se confundem com seus sonhos e devaneios. Não existe nessa resposta a preocupação com o quando (Prazo), com o como (metodologia) e, nem mesmo, o com quem. Como se o simples fato de casar tivesse um significado, independente do com quem.
Acredito que este seja um bom começo para que esses alunos percebam que, em sua vida profissional, não existe espaço para promessas vagas, projetos inócuos, ou mal orientados. Infelizmente meus esforços são constantemente anulados por personagens de relevância no cenário nacional. Personagens como o economista, engenheiro civil e empresário Gilberto Kassab, prefeito da cidade de São Paulo por duas vezes entre 2006 e 2012 que, teoricamente, deveria ratificá-lo.
O Prefeito da Cidade de São Paulo disse (10-07-2011) ao Jornal O Estado de São Paulo que seu plano de metas não é obrigatório. “O importante”, disse ele, “é a gestão procurar cumprir as metas. É meta, não obrigatoriedade. Plano de metas é meta, não plano de ação, onde tem efetivamente compromisso”.
O Sr. Kassab mostrou na oportunidade que suas noções sobre administração estavam longe dos conceitos consagrados nos meios acadêmicos e organizacionais. No mínimo, confundiu Meta com promessa de governo, mostrando o quanto a administração pública carrega em seu bojo o amadorismo, a falta de profissionalismo na gestão do dinheiro e das necessidades públicas. Não cabe aqui falar da honradez e da probidade de um gestor, mas de sua formação e competência administrativa para um cargo.
Meta é compromisso sim, Sr. Kassab, e deve ser cobrada segundo um prazo determinado e objetivos a serem alcançados. Uma vez definidos claramente objetivos e prazo, todo o processo obedecerá a uma rotina formal em que, ao final, chefe e subordinado cheguem a um acordo sobre quais as metas a serem alcançadas, sua faixa de sucesso segundo um mínimo e máximo, bem como o peso que cada uma representa no conjunto total das metas que serão perseguidas.
"Não vamos colocar meta!" Essa frase da, então “presidenta”, Dilma Rousseff (PT, de 1 de janeiro de 2011 a 31 de agosto de 2016) virou piada e sucesso na Internet. Na ocasião, Dilma disse: “Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta”. O termo “meta” virou sensação na internet e foi usado a exaustão no Twitter. Além do vídeo com a frase remixada, os internautas criaram várias situações em que o termo podia ser adaptado (https://www.youtube.com/watch?v=73TJnTM7qqA).
O conceito de Meta, deve ser utilizado como sinônimo de Alvo, ponto de convergência que se pretende atingir. Marca a pessoa, o projeto ou a organização se posicionando num futuro desejável e se esforçando para implementar as condições (objetivos), sobretudo sabendo que este compromisso será cobrado.
Como educador, minha função é tornar o tema compreensível para meus alunos de forma que possam decodificá-lo e incorporá-lo. Por isso, friso a seguinte definição, que acredito ser didática, na apresentação de um projeto, e pragmática na cobrança que sofrerá ao final de um prazo determinado. Destaco a que Meta só pode ser conceituada como tal quando apresentar as seguintes variáveis:
O "M" de sua meta deve referir-se a MENSURÁVEL. Um objetivo que se possa medir com uma grandeza, uma unidade convenientemente escolhida.
O "E" deve significar ESPECÍFICO, EXCLUSIVO, ESPECIAL. Explicada e detalhada miudamente. Sempre associado aquilo que importa ou é necessário (relevante).
Já o "T", meu caro Prefeito, deve significar TEMPORAL. Em outras palavras, é relativo a tempo. Com prazo determinado. Espaço de tempo durante o qual deve realizar-se.
Por fim, o "A", letra final da palavra Meta, representa algo a ser APLICÁVEL, exeqüibilidade e atingível. 
No caso da administração Kassab o temporal significava o fim de 2012. Prazo apertado que definia o final de sua gestão e que, convenientemente, teve suas linhas principais alteradas e documentadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2012. Enviada por Kassab à Câmara Paulistana, retirava de suas "Metas", boa parte das “Promessas” feitas anteriormente e que, certamente, não seriam cumpridas. Nas palavras do Prefeito, por "imprevistos" tais como licitações e quedas de receitas.
Outra declaração de Kassab, na época, me chamou a atenção. Kassab criticou o Movimento Nossa São Paulo, que foi o principal parceiro da administração pública ao idealizar a chamada Agenda 2012. Nas palavras do Prefeito Kassab: “São desleais e irresponsáveis no acompanhamento. Qual gestor vai querer conviver com uma deslealdade dessas? Acreditei nessa ideia com inocência e espírito público, mas fui vítima da boa-fé.”
Outro princípio básico, desta vez relativo à negociação, reza que toda boa fé deve estar respaldada por um bom contrato que valide o acordo, sustente a relação, facilite a comunicação e mantenha os compromissos. Além disso, professo aqui uma lição que aprendi no início de minha vida profissional e que adotei como regra de conduta. A culpa é sempre do chefe (Sr. Luiz Rozenblum). Se não por outros motivos, porque em nossa posição fica muito fácil atribuir a subordinados culpas e responsabilidades. Seja por falta de orientação, atribuição de recursos, acompanhamento ou, seja lá o que for, a responsabilidade sempre deve ser absorvida pelo líder que ocupa o posto e é remunerado por isso.
Tudo isso aconteceu num momento em que tramitava na Câmara Municipal um Projeto de lei que previa aumento de 95% para Kassab e mais de 250% para seus secretários. Ao argumentar sobre tal aumento, o vereador Aguinaldo Timóteo (PP, eleito em 2008), comparou as funções e o montante de recursos geridos por administradores públicos aos da iniciativa privada. Segundo ele “outros profissionais com menor pressão, responsabilidades e capacidade, tem remuneração superior a oferecida pela administração pública”. Só um comentário: em 24/06/2011, o dito Vereador protocolou junto à Câmara Municipal de São Paulo um Projeto que pretendia mudar o nome do Parque Ibirapuera para Parque Michael Jackson, em homenagem ao já falecido cantor norte americano. "É um ícone da música mundial e merece a homenagem", disse o parlamentar.
Em tempo. Enquanto falavasse de Kassab, a Nestlé, maior companhia de alimentos do mundo, anunciava que pagaria US$ 1,7 bilhão (aproximadamente R$ 2,7 bilhões) por uma participação de 60% na fabricante chinesa de doces Hsu Fu Chi International. Segundo os porta vozes da empresa Suíça, a operação, que considerada, então, a maior aquisição já feita pela Nestlé na China, levou a companhia suíça para mais perto de sua “meta” de ter 45% das vendas vindo de mercados emergentes em dez anos.