TÍTULOONDE EXISTEM RELAÇÕES DE PODER, EXISTE POLÍTICA, E NÃO O CONTRÁRIO.

Grande parte dos políticos e gestores desconhecem mas o estudo do Poder e o domínio da ferramenta de coalizão e apoio à visão pode orientar uma administração na construção de um ambiente produtivo e empreendedor.

 

Por José Mário Orlandi

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Publicado em 14 de maio 2020 

Somos seres gregários e, como tal, um único indivíduo é capaz de, através de seus atos, causar efeitos positivos e/ou negativos, em toda a sociedade. Ao mesmo tempo, esse mesmo indivíduo, por sua vez, é influenciado pelo todo. Eu, você, Barak Obama, o Maranhense Manoel Gomes (caneta azul), todas as pessoas e coisas que rodeiam a vida dos seres humanos estão interligadas e afetam a vida de todos. Sem as partes, não pode haver o todo e, sem o todo, o conceito de parte não tem sentido. Tal moralidade não nasce de normas reveladas, mas da rotineira relação política dentro de grupos sociais.

 

Indivíduos diferentes, grupos distintos e interesses diversos são comuns em qualquer grupo humano estruturado. De uma forma ou de outra, grupos, comunidades ou organizações sempre estão divididos em subgrupos, área de especialização ou interesse e existe uma enorme tendência, muitas vezes discreta, de competição entre elas.

 

Nesse contexto, a palavra PODER descreve, dentre tudo aquilo que um quer, o que ele pode realizar.

 

Jair Messias Bolsonaro sempre foi de confronto. Quando militar da ativa afrontou até ser expulso. Na vida pública foi vereador por dois anos e deputado federal, eleito através de diversos partidos, por sete mandatos entre 1991 e 2018 fixando sua imagem como controversa por conta de sua simpatia pela ditadura militar, declarações classificadas como "discurso de ódio" e visões políticas caracterizadas como populistas e de extrema-direita. Em 7 de outubro de 2018, Bolsonaro foi o mais votado no primeiro turno das eleições presidenciais tendo o candidato Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT) seu adversário no segundo turno. Foi eleito Presidente da República em 28 de outubro, com 55,13% dos votos válidos.

 

Em 2020, durante a Pandemia do Covid-19, Bolsonaro, cada vez mais distante de atingir seus objetivos, assumiu dois papeis antagônicos: O de Líder do Poder Executivo Federal e o de oposição ao Governo. Desdenhando da pandemia, desautorizando e demitindo ministros, atacando os demais Poderes da República, governadores e prefeitos e negando-se a cumprir as medidas preventivas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde o Presidente desconsiderou e confundiu Poder e Autoridade. O Poder é efêmero, é comprado e vendido, dado e tirado, difere de Autoridade que define a habilidade de levar os outros, de boa vontade, a colaborar com sua visão ou desejo. Autoridade vem do saber, do respeito e do exemplo, enquanto o Poder surgiu dos militares onde a principal característica é a força e a hierarquia. Autoridade é a essência da pessoa, está ligada à sua personalidade, seu saber, suas referências e ao seu caráter.

 

Incrível, mas em seus 30 anos de vida pública Bolsonaro não entendeu, ou não foi instruído, sobre o que é política que, embora definida pelo senso comum como tudo aquilo que está vinculado à administração pública com o objetivo de administrar o patrimônio público e promover o bem comum, contemporaneamente é conceituada como o mero exercício do Poder perante um grupo social. O Poder político é, portanto, o Poder do homem sobre outros homens e se expressa nas diversas relações sociais. Onde existem relações de Poder, existe política, e não o contrário.

Bolsonaro se considera Poderoso por ser Bolsonaro, e não por “estar” presidente, talvez sustentado pelo sociólogo, jurista e economista alemão Max Weber (1864-1920) que definiu Poder como "a capacidade de obrigar os outros a obedecerem à sua vontade impondo, por causa de sua posição ou força, mesmo que "eles" preferissem não fazê-lo".

 

Grande parte dos políticos e gestores desconhecem mas existe sim uma teoria, que se estende à uma técnica que ajuda um líder a desenvolver uma matriz de controle e postura e que pode orientar um gestor na construção de um ambiente produtivo e empreendedor. O estudo do Poder e o domínio da ferramenta de coalizão e apoio à visão é um dos tópicos que considero mais interessantes abordados por mim em disciplinas como gestão estratégica ou negociação.

 

O Conceito Poder e Autoridade, identificar aqueles que compartilham de nossas intenções e que podem nos ajudar a implementá-las, assim como aqueles que estão diametralmente contra. Desenvolver uma matriz de controle e postura que possa ajudar um gestor na construção de um ambiente produtivo e empreendedor, são atributos que deveriam compor as competências e habilidades de todos aqueles que pretendem ser gestores, de um grupo, de uma organização ou de um pais.

 

No exercício do Poder, uma Aliança Estratégica ou uma Coalizão podem ser definidas como uma associação entre duas ou mais partes ou grupos que juntam recursos, "know-how" ou apoio para desenvolver uma ação ou atividade específica, criar sinergias ou como opção estratégica de crescimento.

 

Corrompida por ações políticas inescrupulosas (no Brasil batizada de "presidencialismo de coalizão"), a Coalizão tem uma função estratégica prática e legítima. Nas disciplinas de gestão estratégica refere-se a um acordo ou aliança política, interpartidária, departamental ou social para alcançar um fim comum. As forças de coalizão se formam quando interesses comuns estão em jogo e torna-se necessário dar ao executivo maior base e suporte para suas ações.

 

Em cenários de graves crises mundiais, tão importante quanto analisarmos a questão do despreparo político e a postura equivocada da população precisamos de líderes melhor preparados, não só com conteúdo histórico e teórico da política e da democracia pluralista brasileira, mas com entendimento sobre marketing e administração além de conhecer tecnologias, técnicas e estratégias adequadas para o bom funcionamento das instituições governamentais, sejam elas municipais, estaduais ou federais.